terça-feira, 28 de julho de 2026

Quero!

Pensei andando que sei de tudo um pouco. Senti andando esse pouco se tornando muito, em mim, e eu me percebo sabendo coisas, quantas coisas eu sei. E, de fato, sabendo isso, nada sei. Pois, então, excelente! Achei mesmo excelente isso! Eu pensando e me sentindo nada. E (antes de mais nada do que esse próprio nada concebido), me sentindo. Que coisa boa: bater a bunda, bater boca, beijar boca, bugar a mente. As experiências não se acumulam, se revisitam umas às outras, extemporaneamente, e inescrupulosamente. A vida passa e os ensinamentos são pequenas odes, brindes à vida invisível, às vezes claramente vista, como um próprio lar no escuro: basta tatear, mas, na maioria das vezes, nem é preciso, se você se permite crer que conhece o lugar. Crer, saber, sentir... E, de repente, acima de tudo isso, temer. Como múltiplos gumes de uma luxuriosa faca putanesca que rasga tudo para se manter útil. Você diz: ok, eu sou isso, para no mesmo instante dar-se conta de que: nada disso. É um processo próprio, humano, nem sempre humanizado, e nem sempre um processo, nem isso. Mas vale a pena, vale o gozo e a fé, porque retorna sem nunca ter estado no mesmo ponto: é uma lembrança de algo que não precisou ser vivido pela primeira vez: é uma certeza: eu quero! É sangue! É o durante, o decorrer. É o decurso do viver.